domingo, 7 de dezembro de 2025

DNA sintético é aposta para 'hard disk imortal'.

 

A empresa norte-americana Atlas Data Storage, líder em pesquisa, lançou o Atlas Eon 100, o que pode ser o primeiro passo em direção ao armazenamento de dados "imortal". O serviço coloca em evidência uma tecnologia que antes pertencia apenas à pesquisa de fronteira: o uso de DNA sintético como suporte para a conservação de informações digitais. O objetivo da solução é proteger informações sensíveis e conteúdo de valor por períodos extremamente longos, muito além da durabilidade de qualquer suporte tradicional, como hard disks, memórias Flash ou suportes ópticos. 

O princípio do sistema reside na tradução de bits digitais (o 0 e 1) em sequências compostas pelas quatro bases que formam o código genético: A, C, G e T. O DNA sintético usado pela Atlas Data Storage é desidratado, o que o torna incrivelmente estável. Esse material pode resistir por milênios sem precisar de alimentação ou manutenção. Isso permite superar a obsolescência que atinge a infraestrutura de armazenamento atual.

A densidade de dados é outra grande vantagem. A empresa afirma que a tecnologia atinge uma densidade até mil vezes superior à dos sistemas magnéticos atuais. Isso permite guardar quantidades massivas de informações — fotografias, filmes, documentos e até datasets usados para treinar modelos de Inteligência Artificial — em volumes minúsculos. O sistema ostenta uma prometida confiabilidade de 99,99999999999%, que o coloca entre as soluções mais robustas já vistas.

O lançamento do Eon 100 é o primeiro de uma linha que busca, com o tempo, atingir capacidades na ordem dos terabytes. O foco não se restringe ao setor privado; ele mira em entidades públicas, museus, bibliotecas e arquivos culturais. A capacidade de preservar informações por séculos ou milênios sem a necessidade de migração constante de suporte representa um ganho prático, econômico e ambiental.

A necessidade dessa inovação surge do envelhecimento dos suportes atuais: fitas magnéticas precisam de substituição a cada 7 a 10 anos, e HDs e SSDs sofrem degradação. O DNA sintético, por sua natureza compacta e estável, surge como a alternativa mais promissora para atender à rápida expansão global de dados.